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Sã Doutrina

A Bíblia é um livro muito profundo, de muitíssimas revelações e conteúdo. Foi escrita por aproximadamente 40 autores, durante um período aproximado de 1600 anos (de 1500 a.C. à 90 d.C.). Seus autores, de maneira inspirada por Deus, registraram a verdade e a vontade divina para toda a humanidade, revelação que se expressa com a origem dos tempos até ao seu fim ou a eternidade.

 

Algumas crenças são essenciais na mensagem divina e se repetem no conjunto da obra bíblica, na forma de mandamentos, conselhos e sabedoria, dadas por Deus, por seus profetas, por Cristo, o filho de Deus unigênito e pelos discípulos de Cristo.

 

O objetivo deste artigo não é substituir a reflexão contínua, profunda e necessária da palavra de Deus ou elencar suas doutrinas em ordem de importância, mas, apenas esclarecer, dando valor e ênfase à alguns ensinamentos essenciais, à fim de despertar a igreja de nossos dias para um olhar e uma atuação mais comprometida com certos objetivos da vontade divina.

 

Passemos então às Crenças fundamentais:

 

 

 

  • Crença e amor ao Deus único, conhecido nas pessoas do Pai, do Filho e Espírito Santo.

 

O que a Bíblia nos ensina é que há um Deus, manifesto em três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) que criou o universo, a Terra, o ser humano e todas as coisas. Este Deus, detém todo o poder sobre sua criação. Ele tem amor por ela, é bondoso e tem um plano designado para todas as suas criaturas (os seres humanos e celestiais, animais e demais seres vivos).

 

Deus, tendo nos criado com amor e significado, colocou em nós a capacidade de conhecê-lo e também amá-lo, nos orientando desde o princípio à obedecê-lo. Sua palavra nos ensina que o temor ao Senhor é o princípio da sabedoria, ou seja, toda a verdadeira sabedoria se instaura e se desenvolve quando inicialmente existe o compromisso de se respeitar à Deus. Mais do que respeito entretanto, Deus, nos direciona à amá-lo acima de todas as coisas, com todo nosso coração, forças e entendimento. Não devemos considerá-lo por isso, arrogante, desejoso por adoração, egocêntrico, mas ao contrário, devemos compreender que Ele anseia por nosso amor profundo e por um relacionamento tão íntimo e superior à todas as demais pessoas. Nisto, reside certamente, uma verdadeira e incomparável relação de amor e desejo de comunhão especial com cada um dos seus filhos e filhas.

 

Todos àqueles que falham em acreditar neste Deus, seja desprezando-o ou rebelando-se, cometem um afastamento e desligamento de Deus e por isso, o próprio Deus, no cumprimento dos tempos determinados, tendo manifestado anteriormente constante misericórdia, amor e capacidade de perdão, lhes tirará no fim as suas existências, pois Ele objetiva um universo de paz, habitado por aqueles que o amam e respeitam as suas leis.

 

 

 

  • O arrependimento de nossas obras feitas no pecado.

 

Tendo sido criados em pureza, Adão e Eva, nossos primeiros pais, escolheram desobedecer a ordem de Deus, dando origem ao pecado, que foi transmitido como característica espiritual hereditária à toda a descendência humana. Desde o princípio, nos tornamos pecadores e afeiçoados ao erro e à transgressão. Nossa única escolha perante Deus é nos arrependermos de nossos pecados e retornarmos à uma vida alinhada à vontade divina.

 

As leis de Deus revelam toda a nossa pecaminosidade.  Sem estas leis, não teríamos consciência de nossos erros. Elas nos foram dadas para conhecermos o caminho correto e para nos livrar das más escolhas. Durante muito tempo, foi estabelecido por Deus, que nossos pecados exigiriam o sacrifício de animais, pois Deus compreendeu que pecados requereriam o derramamento de sangue de animais inocentes, à fim de demonstrar principalmente o peso de nossas falhas perante Deus e nos fazer refletir e evitar o pecado.

 

Acontece que, em função do pecado de nossos primeiros pais (Adão e Eva), como nossa carne se tornou enferma e impregnada do vício do pecado e não sendo capaz de eliminar esta pecaminosidade através de seus próprios esforços e tentativas de obediência à Lei, Deus enviou o seu filho, para que através de seu sacrifício, semelhante ao de um cordeiro perfeito (inocente), pudéssemos receber o resgate definitivo por nossos pecados e passar a viver em uma nova dimensão de obediência. O pecado continua existindo, continuamos sendo falhos, mas não somos mais escravizados pelo pecado, estamos livres e nosso coração passa a desejar uma vida perfeita novamente, alinhada com a vontade de Deus. Se errarmos, nos voltamos para Cristo, em arrependimento e Cristo estará disposto à nos colocar de pé.

 

Assim, existe apenas uma única maneira de obtermos o perdão pelos nossos pecados e recebermos a reconciliação com Deus:  é desejando de todo o coração novamente nos submetermos à Ele, nos tornando filhos obedientes e recebendo o sacrifício e o Senhorio de Jesus Cristo. Quando recebemos o sacrifício de Cristo, Deus passa a fazer morada em nosso coração e nos guiará em nossa jornada, fazendo com que não vivamos mais uma vida regida pela nossa carne, mas sim regida pela vontade de Deus, sendo capacitados também pelo seu Espírito Santo, para viver em novidade de vida e santificação.

 

Sem arrependimento, não há salvação, tampouco, perdão. Nisto reside a importância do arrependimento.

 

Se o Diabo entrou na história para iludir Adão e Eva e introduzir o pecado no coração humano, Deus introduziu seu filho Jesus para devolver ao ser humano o caminho do arrependimento e do encontro com a misericórdia divina.

 

 

 

  • A Salvação pelo filho.

 

Deus determinou que há apenas uma maneira do ser humano receber a salvação, que contempla o perdão pelos nossos pecados, a reconciliação com Deus, uma vida plena vivida na presença do Espírito Santo e a destinação para a eternidade: é através da fé e da submissão à Jesus Cristo como Senhor de nossas vidas.

Não existem outros Deuses ou outros homens ou mulheres capazes de proporcionar o acesso à este dom da salvação. A palavra de Deus nos declara que Jesus é o caminho, a verdade e a vida, e que ninguém vem ao Pai, a não ser pelo seu filho Jesus (João 14:6).

 

 

 

  • A santificação do corpo e do caráter.

 

Uma vez estabelecida a salvação, Deus irá fazer morada em nosso interior e através do Espírito Santo irá nos conduzir à uma jornada de santificação, nos separando para o seu serviço e para a purificação de nossas vidas, de nosso corpo, alma, mente e todo o nosso ser. Seu objetivo é que tenhamos um andar reto, permanecendo nos seus mandamentos, nos tornando pessoas disciplinadas, moderadas, sóbrias e limpas de coração. O processo de santificação requer esforço de nosso parte, pois a nossa carne ainda luta contra o espírito, tentando satisfazer seus desejos, mas,  Deus é mais forte para nos ajudar à vencer, se batalharmos com firmeza.

 

O Senhor tem um alto padrão de santificação. Seu desejo é que sejamos perfeitos e alinhados com toda a sua expectativa. Se, porém falharmos, devemos nos arrepender, pedir perdão à Deus que é rico em perdoar, ser humildes para recomeçar e prosseguir para o alvo. A santificação nos aproxima de Deus e permite que sejamos reconhecidos como exemplo para outros, cumprindo com a missão de ser sal e luz do mundo. Sal, capaz de temperar e conservar a humanidade com a palavra de Deus e luz, para iluminar as trevas, permitindo-nos enxergar os obstáculos e não tropeçar.

 

Nesta vida, somo aperfeiçoados e provados em nossa santificação, para então, ao final, sermos aprovados e habitarmos eternamente com o Senhor.

 

 

 

  • O Amor ao próximo.

 

Apenas abaixo do amor à Deus, está a nós delegada a responsabilidade de amar ao nosso próximo. A Bíblia nos ensina a desejar e praticar ao outro aquilo que gostaríamos que se fizesse a nós mesmos. Através do exemplo de Jesus Cristo, somos incitados até mesmo a morrer pelo nosso próximo, se isto for necessário ( João 15:13). Portanto, trata-se da responsabilidade de um amor sacrificial, que deve se colocar na situação do outro, sentindo suas dores e mais profundas necessidades. A compaixão e a empatia nos dão a capacidade de captar esta realidade. Se, por outro lado, nos tornamos egoístas e individualistas, estamos tratando ao outro com injustiça e esta é, sem dúvida, a razão de tanto sofrimento na Terra: a falta de amor ao outro. João Batista orientava seus discípulos, para o caso de terem duas túnicas, que compartilhassem uma com que não tivesse. Jesus também nos ensinou sobre a parábola do samaritano que socorreu uma pessoa jogada e enferma caída em uma rua pelo caminho. Esta é a base do amor de Deus, que Ele mesmo praticou e nos deixou como exemplo e regra de vida, um mandamento divino. Deste preceito de amor, surgem as bases para todas as outras leis e mandamentos. A Bíblia nos diz que é impossível amar a Deus, se não amamos ao nosso próximo (1 João 4:20).  Infelizmente, nos últimos dias o amor de muitos se esfriará, por conta da multiplicação da iniquidade na Terra (Mateus 24:12). Jesus entretanto advertiu aos seus que, se,  se amassem uns aos outros, a Terra reconheceria que são verdadeiramente discípulos de Cristo e que o amor de Deus habitaria de fato em nós.

Cuidemos assim, de praticar esse amor tão necessário.

 

 

 

  • Os Dez mandamentos.

 

Os dez mandamentos são a base de toda a lei judaica e cristã, sendo fundamentais no desenvolvimento e preservação de toda a sociedade, desde aquele contexto israelita, de saída do povo da terra do Egito, até atualmente, quando tem alcançado a plenitude dos povos da Terra, sendo um conjunto de leis respeitado por bilhões de pessoas.

 

Os dez mandamentos não constituem o único conjunto de leis divinas à ser respeitado, existem muitos outros mandamentos bíblicos que foram dados no decorrer da história, sendo a Bíblia concluída com os ensinos dos apóstolos e discípulos de Jesus. No entanto, há de se compreender a importância dos 10 mandamentos, sendo capazes de trazer uma orientação preciosa sobre a conduta humana, o relacionamento com o Deus criador e o relacionamento entre as pessoas.

 

São estes os mandamentos, registrados em duas tábuas de pedra, dados por Deus à Moisés:

 

Êxodo 20:2 a 17.

 

1º Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.

2º Não terás outros deuses diante de mim.

Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.

Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.

E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.

3º Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

4º Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.

Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra.

Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas.

Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.

5º Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.

6º Não matarás.

7º Não adulterarás.

8º Não furtarás.

9º Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

10º Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

 

 

 

 

  • A divisão entre o mundo e o reino de Deus, uma batalha espiritual.

 

Existe uma batalha de grandes proporções onde Deus atua contra Satanás; onde os anjos de Deus lutam contra os anjos caídos (demônios); entre o mundo e sua ideologia vigente contra o reino de Deus e a sua cultura; também uma batalha entre os filhos de Deus versus aqueles que se rebelam contra Deus, e,  por fim, existe uma batalha entre a carne, que é a natureza humana pecaminosa e o Espírito, que é a presença de Deus, guiando nossa mente e nosso ser, para que possamos exercer o controle sobre o nosso corpo e seus desejos.

 

O papel de Deus e de seus filhos nestas batalhas é levar a salvação e a inclusão dos seres humanos no reino de Deus. Nestas batalhas, não usamos de violência, mas apenas de armas espirituais, como a palavra sagrada, a oração, os jejuns, os louvores, a unidade da igreja, a fé, a justiça, a misericórdia e outras boas obras.

 

Os filhos de Deus devem agir no mundo de maneira à revelar aos seres humanos a verdade das escrituras e o propósito de Deus para a humanidade. Devem-se portar com coragem, prudência, sabedoria e amor. Mesmo assim, serão perseguidos, escarnecidos e até mesmo mortos por causa de sua missão.

 

No fim dos tempos determinados por Deus, Ele próprio irá cumprir os seus desígnios e vencerá seus opositores, sejam homens ou demônios, todos, terão a recompensa por suas obras exercidas contra Deus e o seu reino.

 

Jesus orou ao seu Pai, não para que tirasse os seus filhos do mundo, mas para que os mantivesse, para que fossem também enviados à cumprir as obras de Deus e trazer o seu reino à Terra. Nesta oração, Jesus pediu também ao Pai, para que seus filhos fossem livrados de todo o mal, pois muitas seriam as aflições nesta jornada, mas haveríamos de vencer, se nos mantivéssemos firmes até o fim.

 

 

 

  • A Importância da família.

 

Desde o princípio, Deus desejou que o homem não estivesse só, por isso formou de suas costelas, uma mulher, para que fosse sua companheira e ajudadora. Desta união, nasceu o fundamento divino de se tornarem os dois uma só carne. Tudo que é relativo à um, é também relativo ao outro. Juntos compartilharão todas as dores e alegrias. Sentimentos e vontades serão experimentados na dimensão do casal. As tarefas serão divididas e complementares um ao outro. Os sonhos e projetos serão conjuntos, a cumplicidade e a fidelidade os seguirão até o fim de suas vidas. Tal é o firme conceito de serem dois uma só carne, que se expressa até mesmo na aparência dos filhos, onde se misturarão as características físicas e psicológicas do pai e da mãe.

 

A família, tem a liderança do homem, que deve pesar sempre as necessidades de sua esposa e de sua casa, oferecendo e buscando aquilo que for o melhor para suas vidas.  A esposa, no papel de ajudadora, deve apoiar o esposo, e lhe fornecer informações preciosas sobre suas necessidades e as da família, para que juntos, estejam alinhados com a vontade de Deus para o seu lar. Desta união, virão os filhos e posteriormente os demais descendentes, que  deverão trabalhar pela unidade da fé em Deus e do apoio amoroso entre uns e outros. É na família que podemos encontrar fortalecimento e ajuda em tempo oportuno. A responsabilidade entre os seus membros é grande e singular e demanda um sentimento e compromisso como uma aliança: sem começo, nem fim.

 

Quando nos estabelecemos como família, criamos uma rede de apoio e de amor, capaz de resistir às intempéries da vida. É importante destacar, entretanto, que nem todos são chamados ao casamento, mas alguns à viverem uma aliança exclusiva com a família divina (Pai, Filho e Espírito Santo), tendo Deus, como principal companheiro de jornada e buscando servi-lo com maior dedicação. Assim, seja vivendo em família ou individualmente, nossa principal missão sempre será alinharmo-nos aos desígnios de nosso Pai Celeste, vivendo na Terra como representantes de sua família, filhos e filhas amados e leais.

 

 

 

  • A Vida em comunidade, a família da fé.

 

Participar da comunidade que tem a fé em Deus e no Salvador Jesus Cristo, é uma condição natural e necessária para que nos tornemos a família de Deus e que possamos nos unir em torno de seus interesses e propósitos. Em Cristo, somos chamados a ser como seu corpo na Terra, onde Ele, o próprio Cristo, atua como a cabeça (que orienta o corpo) e nós, como todas as outras partes do corpo (olhos, nariz, ouvidos, boca, mãos, pés, dedos, coração, entre outros).

 

Enquanto corpo, somos chamados a resistir contra todo os males do mundo, inclusive contra as investidas de Satanás e seus demônios. A reunião como família da fé se dá na igreja local, onde nos reunimos continuamente e na igreja global, onde como participantes de um corpo existente por toda a face da Terra, nos ajudamos e nos fortalecemos fora das quatro paredes da igreja: nos espaços comuns do lar, da vizinhança, do trabalho e das demais relações sociais.

 

A reunião das pessoas na prática e ensinamentos do evangelho do Senhor, sejam duas ou mais pessoas, é fundamental para que sejamos ensinados, guiados, corrigidos, amados, curados, motivados, sustentados e protegidos. Sem a companhia de outros, sucumbiremos facilmente frente às maldades e pecaminosidades deste mundo. É importantíssimo que a igreja ou o corpo do Senhor viva de fato uma relação de amor e cuidado uns com os outros, para que possamos sentir a importância e a função desta família de fé. Devemos, além do cuidado prioritário com nossa família biológica, demonstrar todo o apoio também necessário dentro desta comunidade de Cristo, socorrendo e oferecendo suporte de todos os tipos, em ocasião demandada.

 

Atos 4:32 “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.”

 

 

 

  • A justiça e a consideração pelos necessitados.

 

O princípio do amor ao próximo seria suficiente para caracterizar sua importância em todos os atos humanos relacionais, entretanto, a Bíblia nos orienta muitas vezes à dedicarmos atenção especial aos necessitados. São eles o alvo de nossa atuação mais específica, pois demandam de cuidado e compaixão.

 

Quando falamos sobre os necessitados, estamos nos referindo mais especificamente às pessoas cujo sofrimento e desafio existencial são mais graves. A Bíblia nos aponta para os pobres, para os orfãos, as viúvas idosas, os enfermos e os presos, em especial, àqueles que foram presos em causas injustas. Inclua-se também os refugiados, que na Bíblia também poderiam ser reconhecidos como os estrangeiros. É claro que essa relação pode ser extensiva à outras pessoas e grupos que carecem da nossa atenção, especialmente em tempos de uma sociedade tão injusta, excludente e desigual.

 

O coração dos cristãos, dos seres humanos, governos e instituições deve assumir um compromisso com a causa dos necessitados. Se vivermos uma vida centrada apenas em nossas próprias necessidades, jamais teremos condições de estender nossa mão àquele que está passando por dificuldades, mas se tivermos um coração aquecido e pronto para se doar, estaremos dando a chance necessária para aquele que precisa de nossa ajuda, para se levantar e encontrar sentido na humanidade e na vida, recebendo alento e esperança para continuar.

 

 

 

 

  • Uma vida simples e orientada para a partilha.

 

A vida cristã é um chamado à simplicidade. Engana-se quem acredita que a vida em abundância prometida por Jesus, signifique uma ênfase à prosperidade financeira abundante. Vida em abundância significa, primordialmente, eternidade, ou seja, anos de vida em quantidade abundante, infinita. Esta é certamente a maior promessa de Deus, muitas vezes reafirmada: a vida eterna. Mas, obviamente, que o conceito de vida abundante pode incluir também vida plena de sentido, uma vida elevada espiritualmente, de certeza da companhia de Deus em momentos de alegria ou de dor, da presença do amor, da orientação divina, da alegria e até mesmo de prosperidade financeira. Entretanto, quando pensamos neste tipo de conquista financeira, dos princípios ensinados por Jesus e pelos apóstolos no Novo Testamento, não devemos nos esquecer de outros versículos que norteiam a vida cristã e que não apoiam uma vida financeira regalada, vivida para desfrute de prazeres e regalias. Deus, na verdade, abençoa não somente os seus filhos, mas também os demais seres humanos com a possibilidade de prosperidade, mas seu intuito, quando os abençoa, é que sejam capazes de atender as demandas do reino de Deus e compartilhando suas riquezas com quem tem necessidade.

 

Deus não se conforma com a pobreza dos seres humanos. Ele deseja de todo o coração que seus filhos e os demais seres humanos sejam profundamente sensíveis com as demandas da pobreza em toda a Terra. Sobre a simplicidade do reino de Deus, aprendemos que o próprio Jesus não veio em berço de ouro, mas nasceu em uma manjedoura, trabalhou como carpinteiro, posteriormente se dedicou ao seu ministério e foi sustentado por outros homens e mulheres. Para entrar em Jerusalém, solicitou emprestado um jumentinho, também emprestado, solicitou um salão para celebrar a páscoa com seus discípulos. Seu túmulo pertencia a José de Arimatéia e foi também cedido à Jesus. Assim, ele viveu e assim também ensinou aos seus apóstolos e discípulos. Orientou à todos, no sentido de compartilharem seus ganhos com quem tivesse necessidade.

 

Uma vida simples, e quando suprida de bens, dedicada à partilha, essa é a essência do evangelho.

Muitos estão buscando Jesus para prosperar na vida e ter sucesso, adquirir bens, patrimônio, carros e casas luxuosas, mas não é isto que o evangelho de Jesus almeja.

 

João 6:26 e 27. “Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.

Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.”

 

Deus, obviamente, pode nos fazer prosperar. E não é pecado, se tivermos êxito em nossos negócios, mas quando Jesus fala que devemos buscar o reino em primeiro lugar, ele está nos ensinando a buscar as coisas de Deus e não as riquezas. Está nos ensinando à ajuntar tesouros nos céus, onde as traças e a ferrugem não os consome.

 

Uma vida cristã de verdade, é plenamente sensível às necessidades de quem precisa e também sensível às necessidades do reino dos céus.

 

Efésios 4:28 “Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.”

 

1 Timóteo 6:8 a 11. “Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.

Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.”

 

2 Coríntios 9:9-11. “Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre.

Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça; Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se deem graças a Deus.”

 

Provérbios 30:8 e 9. “Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão.”

 

Mateus 6:11. “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”.

 

 

 

  • A pregação da palavra e a importância da doutrina.

 

Há dois chamados importantes à nós relativos à palavra de Deus. O primeiro é que devemos guardar a palavra, o que significa praticá-la. O segundo chamado é que devemos proclamar a palavra de Deus, sendo o único meio de tornarmos conhecida a mensagem de Deus à humanidade. O próprio Senhor estabeleceu este meio para nos comunicar a sua vontade, através do registro de suas orientações e da necessidade de ensinarmo-nos uns aos outros sua doutrina, geração após geração.  A palavra de Deus é demasiadamente importante e está acima de todas as outras palavras humanas. Sua doutrina fornece o conhecimento necessário para nos orientar em toda a nossa caminhada.

 

A palavra é um chamado à permanecermos em Deus em fidelidade. Aquele que diz amar a Deus, deve também guardar e cumprir os seus mandamentos (João 14:15). A palavra foi revelada à Moisés, aos profetas, à Cristo e aos seus primeiros apóstolos e discípulos e o próprio Cristo deu testemunho da palavra de Deus, testificando sobre a autoridade das escrituras bíblicas anteriores ao seu tempo encarnado (Mateus 11:13).  Os apóstolos e primeiros discípulos registraram as palavras de Jesus e os seus ensinamentos, escrevendo-os de maneira inspirada pelo Espírito Santo ou de forma revelada diretamente por Deus e Jesus.

 

Estudar a Bíblia diariamente e manejá-la em profundidade é um requisito obrigatório para todos os filhos e filhas de Deus. Para ajudar nesta compreensão, Deus levanta pessoas mais capacitadas para o trabalho de ensino e proclamação, mas Deus espera que todos possamos chegar à plena compreensão de seus ensinamentos e não somente algumas poucas pessoas. Conhecer à Deus é um chamado à todos os seres humanos.

 

A palavra de Deus deve ser encarada como um alimento espiritual diário, “o pão nosso espiritual de cada dia”. Além do conhecimento, a palavra também se revela na forma de relacionamento objetivo com Deus, onde ele usará suas passagens bíblicas e seus ministros para nos guiar em situações específicas de nosso cotidiano, sendo capaz de interagir em um relacionamento vivo, onde nós o procuramos para conversar e ouvi-lo e Ele literalmente pode nos responder com orientações claras. É um mistério real e espetacular, reservado para os que creem e se entregam à comunhão com o Senhor.

 

 

 

 

  • O desenvolvimento dos santos, os dons, talentos e ministérios.

 

Todos os seres humanos, seres vivos e criações em geral, até mesmo as inanimadas, são dotadas de características únicas e ocupam funções específicas no vasto universo de Deus. Cada um e cada coisa é importantíssima para a harmonia entre todas as partes. Nada existe por acaso, pois a perfeição de Deus as designou para o cumprimento de um propósito único e um outro maior: a sustentação do cosmo.

 

Deus, de forma particular, fez os seres humanos como governadores e mantenedores da Terra, exercendo domínio sobre todas as demais formas de vida. Além do cuidado com o planeta, Deus, planejou para cada ser humano uma história, um propósito e características especiais, que o fazem ser único entre os demais. Todos nós, temos certa personalidade, aparência, dons, talentos, um contexto social particular, nossas formas de servir, de ocupar nosso tempo, nossas preocupações, anseios, gostos, enfim, nossa identidade. Quando passamos à compreender nosso relacionamento com Deus e o seu chamado para atuar na história da redenção humana, que foi maculada pelo pecado, nossa história toma contornos ainda mais claros, pois passamos a atuar dentro de uma engrenagem planejada por Deus para converter a humanidade aos seus objetivos mais amplos e necessários.

 

Infelizmente, a humanidade tomou outros caminhos e se desviou dos objetivos iniciais de Deus, pois dotada de livre-arbítrio, caiu em desobediência. Mas, como foi planejada para servir em amor, assim, o próprio Deus, tendo amado o mundo sobremaneira, providenciou uma forma de resgate e uma nova forma de compreensão da história humana, através do sacrifício de seu filho Jesus, que carregou nossa opção pelo pecado e as consequências de nossa escolha, em suas costas, nos propondo nova vida, regenerados pelo arrependimento e pelo amor revelado em seu sacrifício e na compreensão do amor de Deus Pai, manifesto desde o início dos tempos.

 

Como filhos e filhas arrependidos por nossos pecados, temos a escolha de nos entregar ao Salvador Jesus Cristo e sermos feitos novas criaturas. Nosso passado é apagado e passamos à atuar em concordância com os novos planos de Cristo, para nos tornar santos, filhos e filhas restaurados por Deus, para levar também aos demais seres humanos, a opção pela redenção de nossa história na Terra.

 

Cabe à nós agora atuar no cumprimento deste plano de salvação estabelecido por Deus. Assim, toda a nossa personalidade deve estar à serviço de um novo trabalho, uma nova forma de se relacionar e viver a vida, fazendo que o Salvador seja conhecido, valorizado e exaltado, assim como glorificado também o Pai e o Espírito Santo. Vivemos agora por Deus e tudo que realizarmos na Terra deve estar em submissão à esta verdade e vontade. Cada palavra, cada gesto, cada sentimento, cada pensamento, pode ser usado para a glória de Deus. Cada um deve compreender seu papel e suas características que o diferenciam e se alinhar ao plano divino.

 

Deus organizou a igreja e capacitou pessoas, com o propósito de auxiliar o corpo de Cristo, para seu aperfeiçoamento como santos e trabalhadores do reino de Deus. Passamos a ser verdadeiros sacerdotes, que se ocupam das coisas santas. Podemos e devemos nos capacitar e usar principalmente nossa inteligência para fazer de cada oportunidade na vida, uma maneira criativa de vivenciarmos e trazermos o reino de Deus na Terra. Devemos fazer tudo com excelência,  amor, perfeição, santidade, pois estamos trabalhando e servindo ao próprio Deus. Não é somente na igreja que o servimos, mas em toda a parte, por isso precisamos muito de capacitação espiritual, para obtermos o melhor de nossa atuação, compreensão do mundo e da maneira adequada de viver.

 

Desde o preparar de um simples bolo, ao cuidado de uma criança, à limpeza de nossa casa, à maneira como operamos uma máquina e fazemos negócios, cada coisa, pode e deve ser feita com amor e qualidade, visando despertar nas pessoas as qualidades divinas e de, alguma forma, nos impulsionar e fazer refletir sobre a necessidade de reconciliação com Deus, em Cristo Jesus.

 

 

 

  •  O Zelo pela vida e pela criação.

 

Deus é o autor da vida. A Ele tão somente pertence todas as coisas. Ele dá a vida e tira a vida. Este dom precioso é o dom mais supremo que recebemos e ninguém deve subtrair a vida de outro ou destruir à toa qualquer outro ser vivo, apenas na exceção de uma necessidade extrema de defesa e de sobrevivência da própria humanidade.

 

Cabe ao ser humano zelar pela vida e evitar a morte, o homicídio, o aborto, as guerras, assim como rejeitar completamente a idéia de suicídio. Indo mais além, deve rejeitar até mesmo aquilo que pode estar lentamente destruindo a vida, quer sejam vícios, pecados, a falta de cuidado físiológico, mental e emocional com a nossa vida e a do outro.

 

A sustentabilidade da natureza também deve ser levada muito à sério, pois todo o meio ambiente está interligado e afeta diretamente as espécies. Infelizmente, vemos que o homem não soube cuidar do planeta como deveria e criamos um mundo urbanizado de concreto e produtos para consumo desenfreado que estão exaurindo a natureza. Como sabemos, o desmatamento, a poluição do ar, o descarte de lixo nos rios e oceanos, estão entre as principais causas desta destruição.

 

Deus tem um projeto para o ser humano e este projeto é lhes dar a vida eterna. Mas, a Bíblia diz, que o ladrão (Satanás) veio para roubar, matar e destruir. Assim, vemos que a influência do mal sobre a humanidade trouxe todo tipo de consequências ao dom da vida, desde o pecado original de Adão e Eva, quando a maldade entrou no mundo, temos assistido e praticado todo tipo de degradação e mortandade. Isto tudo faz parte também do projeto de Satanás para destruir toda a obra de Deus. O ser humano, carregado pelo pecado, tornou-se frio e egoísta em relação à criação e à sua própria existência. Sua ânsia pela satisfação de suas necessidades pessoais, pelo sentimento de ganância, vaidade e maldade, infelizmente, não permitem que haja uma conscientização e um trabalhar pela restauração da vida e da reconciliação com o projeto divino.

 

Felizmente, existe esperança e consciência no coração de uma parte da sociedade, que trabalha pelos valores de Deus e em apoio à vida.

 

O Senhor Jesus Cristo tem como principal missão nos trazer a verdade sobre a nossa condição humana e nos impulsionar à repensar o nosso modo de viver, nos ensinando a lutar pela sobrevivência do nosso próximo, dos necessitados, da humanidade e de toda a criação.

 

 

 

  • CONCLUSÃO.

 

Pudemos observar nestas doutrinas, verdades fundamentais sobre a vontade de Deus para nossas vidas. Devemos  como igreja nos esforçarmos e nos concentrarmos naquilo que é essencialmente importante, à fim de não nos distrairmos e desviarmos nossa atenção, deixando que valores deste mundo, nos roubem o coração e mentes.

 

Coloquemos nossos olhos no que verdadeiramente importa e deixemos de lado contendas e atitudes desnecessárias e prejudiciais. Sejamos luz para o mundo, vivendo de maneira digna do evangelho. Tenhamos o amor, a simplicidade, a justiça, a misericórdia, a fidelidade à doutrina e a piedade como paradigmas de nossa caminhada.

 

 

 

  • Versículos finais para reflexão:

 

 

“A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo (Tiago 1:27).”

 

 

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor (1 Coríntios 13:13).”

 

 

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas (Mateus 23:23).”

 

 

“Mestre, qual é o grande mandamento na lei?

E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas (Mateus 22:36-40).”

 

 

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus? (Miquéias 6:8)”

 

 

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele (João 14:21).”

 

 

“Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.

Do que, desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas; Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam (1 Timóteo 1:5-7).”

 

 

“Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor. E rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas (2 Timóteo 2:22-23).”

 

 

“De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau (Eclesiastes 12:13-14).”

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